PRÓS E CONTRAS
Quanto às vantagens da nova tecnologia de acesso à Internet, estas são mais ou menos intuitivas, tais como:
·Não existe praticamente necessidade de construção dos meios físicos de acesso, pois sendo este meio a rede eléctrica, esta encontra-se implementada em quase todo o lado, levando a um autêntico "Boom" no que toca ao número de utilizadores da Internet, por haver praticamente uma tomada em qualquer lado, facilitando a construção de LANs e o acesso em zonas remotas geograficamente.
·Evitar-se-ia a proliferação de mais fios para ligações por toda a casa;
·Fácil de instalar e usar (sistema Plug and Play).
·A nível comercial, esta situação permitirá às empresas do sector eléctrico competirem pela preferência dos utilizadores, acabando com possíveis monopólios no sector de ISPs (Internet Service Providers) existente. Isto, naturalmente, permitirá o embaratecimento do acesso à Internet, trazendo benefícios económicos aos utilizadores residenciais e empresariais pela nova concorrência comercial.
·Altos débitos de transmissão, cerca de 3 Mbps em uploading e 100 Mbps possíveis em downloading (presentemente).
·Encriptação de dados segura.
Todavia, muito há ainda a fazer para ser possível desfrutar das vantagens acima referidas. Em primeiro lugar, refira-se a ausência de uniformidade da infra-estrutura instalada e a inexistência de um "Standard Powerline", o que, consequentemente, impede a atribuição de licenças de operação. Neste campo, as normas europeias são mais restritivas que as estabelecidas nos Estados Unidos e na região Ásia-Pacífico - na Europa, a frequência máxima permitida é de apenas 148,5kHz (norma EN50065) conforme se apresenta na Figura 13 (Fig. 13 - Utilização das frequências na Europa), ao passo que nos EUA podem ser usadas frequências até 450kHz.

Fig. 13 - Utilização das frequências na Europa
É por esta razão, entre outras, que os produtos no mercado americano não são permitidos na Europa e que, no sentido inverso, sempre que se adoptam nos EUA as regras europeias, se verifica uma drástica perda de rapidez e qualidade das transmissões. Adicionalmente, estão ainda por resolver vários problemas técnicos, como as perdas de sinal nos pontos de transformação de corrente, e os ruídos e interferências nas comunicações. De facto, o ruído, a atenuação e as impedâncias de carga existentes na rede de distribuição são um poderoso obstáculo. O ruído está em parte relacionado com os postos de transformação, mas o ruído que mais problemas levanta é o ruído provocado pelas cargas domésticas, nomeadamente nos electrodomésticos que se encontram ligados à rede, assim como as cargas variáveis existentes nas residências. Isto implica que nunca se sabe ao certo a influência que as cargas provocam em termos de ruído dado não serem constantes. Estas mesmas cargas têm impedâncias características que também são variáveis. A potência máxima transitada depende muito das cargas ligadas à rede e como essa cargas são variáveis trazem problemas. A atenuação nas linhas é muito grande, e quanto maior for a linha maior é a atenuação. Juntando a atenuação das linhas com aquela que é provocada pelas cargas maior é a atenuação final.
Ou seja, apesar dos motivos de optimismo, é necessária cautela. Lembre-se, a título de exemplo, a experiência da Nortel, desde sempre uma promotora da tecnologia Powerline. Em 1997, este fabricante formou, como já se referiu, uma joint-venture - a "NOR.WEB" - com a United Utilities, companhia britânica de electricidade. A empresa provou, na sequência de uma experiência levada a cabo em Manchester (Reino Unido), que as transmissões de dados eram possíveis. Só que aconteceu um imprevisto: candeeiros nas imediações da área onde estava a decorrer o teste funcionaram como antenas e interceptaram os downloads, retransmitindo-os sob a forma de ondas de rádio.
O principal problema a ser enfrentado para a implantação de Digital PowerLine, será enquadrar a inovadora tecnologia nos regulamentos de comunicação actualmente existentes, combinando ainda duas áreas tradicionalmente distintas e independentes: telecomunicações e electricidade.